A Fé que Jesus Viu

No início de seu ministério, após ser tentado no deserto, Jesus voltou para a Galileia no poder do Espírito. Em Nazaré, entrou na sinagoga e leu uma passagem do profeta Isaías que anunciava boas-novas aos pobres, libertação aos cativos e restauração aos aflitos. Em seguida, declarou que aquela Escritura se cumpria nele (Lucas 4.14-21).

Ao longo de seu Evangelho, Lucas apresenta sinais dessa missão: Jesus ensinava com autoridade, curava enfermos, libertava oprimidos e anunciava o reino de Deus. Suas obras revelavam sua identidade e manifestavam sua compaixão por pessoas atingidas pelo pecado e pelo sofrimento.

Entre esses acontecimentos, encontramos a cura de um paralítico levado à presença de Jesus por alguns homens. O relato nos ensina sobre a fé que se expressa em atitudes, a importância de ajudar o próximo e a autoridade de Cristo para perdoar pecados.

1. A fé se expressa em atitudes de amor e perseverança

Jesus estava ensinando em uma casa quando aqueles homens chegaram trazendo um paralítico em um leito. Eles queriam colocá-lo diante do Senhor, mas a multidão impedia a passagem.

Diante do obstáculo, buscaram outro caminho. Subiram ao telhado e desceram o homem em seu leito, deixando-o diante de Jesus (Lucas 5.18-19). Marcos acrescenta que eram quatro os homens que o carregavam e que eles fizeram uma abertura na cobertura da casa (Marcos 2.3-4).

Podemos imaginar o esforço envolvido: transportar o amigo, subir ao telhado e baixar o leito com cuidado. A confiança que tinham em Jesus se tornou visível por meio de uma ação perseverante e solidária.

Essa atitude nos leva a uma pergunta: temos ajudado outras pessoas a se aproximarem de Cristo? Podemos fazer isso anunciando o evangelho, orando, acolhendo quem sofre e oferecendo auxílio concreto.

Nem sempre conseguimos remover o sofrimento de alguém, mas podemos deixar de ser espectadores e participar de seu cuidado.

2. A verdadeira fé encontra seu fundamento em Jesus

Lucas destaca a resposta do Senhor:

“Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Homem, estão perdoados os teus pecados.” (Lucas 5.20, ARA)

O centro da narrativa é Jesus. Aqueles homens não confiavam no telhado, no leito ou na criatividade de sua estratégia. Suas atitudes demonstravam confiança naquele diante de quem desejavam colocar o paralítico.

Da mesma forma, nossa segurança está no poder, na bondade e na autoridade de Cristo. A fé não é uma força independente, nem um recurso para obrigar Deus a realizar nossos desejos. É confiança no Senhor, acompanhada de submissão à sua vontade.

Podemos pedir a cura com esperança e perseverança. Entretanto, a ausência de cura não nos autoriza a concluir que alguém não possui fé. O próprio apóstolo Paulo experimentou uma aflição que não foi retirada, mesmo depois de suplicar ao Senhor; nessa experiência, aprendeu sobre a suficiência da graça divina (2 Coríntios 12.7-10).

3. Jesus tem autoridade para perdoar e restaurar

Antes de ordenar que o homem se levantasse, Jesus anunciou o perdão de seus pecados.

Essa declaração provocou questionamentos entre os escribas e fariseus. Eles reconheciam que somente Deus podia perdoar pecados e consideraram blasfêmia o que ouviram.

Jesus, porém, conhecendo seus pensamentos, curou o paralítico para demonstrar que o Filho do Homem tinha autoridade na terra para perdoar pecados (Lucas 5.21-24).

Portanto, o milagre não foi apenas uma demonstração de poder sobre uma enfermidade. Foi também um sinal que confirmou a autoridade daquele que havia anunciado o perdão.

Isso não significa que a paralisia daquele homem fosse consequência de algum pecado específico. O texto não estabelece essa relação. Também não diminui a importância de seu sofrimento físico: Jesus se importou com ele e o restaurou.

A passagem nos lembra, contudo, que nossa necessidade mais profunda é a reconciliação com Deus. Precisamos de sua misericórdia tanto nas dores visíveis quanto na culpa que nenhum esforço humano consegue remover.

Uma vida restaurada para a glória de Deus

O homem se levantou, tomou o leito e voltou para casa glorificando a Deus. A multidão também foi tomada de admiração e glorificou ao Senhor (Lucas 5.25-26).

Aquele leito, antes usado para carregá-lo, passou a ser carregado por ele. A transformação tornou visível o poder de Jesus e apontou para sua autoridade para perdoar.

Essa história nos convida a perseverar em nossa confiança em Cristo e a cuidar de quem precisa de ajuda. Podemos apresentar ao Senhor nossas necessidades com liberdade, descansando em sua sabedoria mesmo quando a resposta não corresponde às nossas expectativas.

A fé nos conduz a Jesus; nele encontramos autoridade para perdoar, compaixão para nos acolher e graça para nos sustentar.

Prof. Celso Lopes
@profcelsolopes

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