Em Memória de Mim!

A morte do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo na cruz do Calvário foi vicária, isto é, substitutiva: ele morreu em nosso lugar, levando sobre si os nossos pecados (1 Pedro 2.24). Nossa salvação não está em nossos méritos, mas na graça de Deus, recebida mediante a fé em Cristo.

João registra em seu Evangelho:

“Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito.” (João 19.30, ARA)

A expressão traduzida por “Está consumado!” corresponde à palavra grega tetélestai, que comunica a ideia de algo concluído, realizado ou levado ao seu cumprimento. Na cruz, Jesus completou a obra que o Pai lhe confiou.

À luz do ensino das Escrituras, essa declaração aponta para a suficiência do sacrifício de Cristo. Ele satisfez a justiça divina e ofereceu a si mesmo, de uma vez por todas, pelos nossos pecados. Seu sacrifício não precisa ser repetido nem complementado (Hebreus 10.10-14).

Por isso, os que estão em Cristo não permanecem debaixo da condenação. Sua segurança repousa na obra do Salvador: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8.1, ARA).

Tetélestai está no perfeito grego, apresentando uma ação concluída cujo resultado permanece. A obra foi consumada, e seus efeitos continuam. Essa permanência encontra confirmação no ensino de Hebreus sobre a eficácia do sacrifício de Jesus.

É à luz dessa obra que devemos compreender a Ceia do Senhor. O apóstolo Paulo transmite à igreja aquilo que recebeu do Senhor:

“[…] o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.” (1 Coríntios 11.23-25, ARA)

Ao participarmos da Ceia, lembramos com gratidão o corpo entregue e o sangue derramado por nós. Também proclamamos a morte do Senhor até que ele venha (1 Coríntios 11.26). A Ceia nos conduz à memória da cruz e à esperança de sua volta.

Cristo é o nosso Cordeiro pascal, sacrificado por nós (1 Coríntios 5.7). Nele, fomos libertos da condenação e do domínio do pecado. Isso não significa que já não enfrentamos tentações ou que deixamos de pecar, mas que o pecado já não é nosso senhor. Somos chamados a viver em arrependimento, fé e santidade (Romanos 6.12-14; 1 João 1.8-9).

Mateus, Marcos e Lucas relatam que, por ocasião da morte de Jesus, o véu do santuário se rasgou. Mateus e Marcos especificam que ele se rasgou de alto a baixo (Mateus 27.51; Marcos 15.38; Lucas 23.45). Hebreus esclarece que, pelo sangue de Jesus, temos liberdade para entrar no Santo dos Santos e nos aproximar de Deus com confiança (Hebreus 10.19-22).

Em Cristo, fomos reconciliados com Deus. Podemos nos aproximar dele com o coração sincero e a consciência purificada, oferecendo-lhe uma vida de adoração e obediência.

Ao celebrarmos a Ceia, recordemos: nossa esperança está no Salvador que morreu, ressuscitou e voltará. Sua obra é suficiente, sua promessa é segura e sua graça nos sustenta.

“Fazei isto em memória de mim.”

Prof. Celso Lopes
@profcelsolopes

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