Deus me salvou durante o meu primeiro ano do curso de Biologia. Naquele período, o estudo da vida ganhou um significado especial para mim: ao conhecer melhor os seres vivos, passei também a contemplar a criação com gratidão e reverência ao Criador.
Um dos assuntos que mais despertaram minha admiração foi a diferenciação celular, estudada no campo da Biologia Celular. Fiquei impressionado ao aprender como, a partir de uma única célula — o zigoto, formado pela fecundação —, sucessivas divisões e processos de desenvolvimento dão origem a um organismo tão complexo quanto o ser humano.
Nesse desenvolvimento, as células não apenas se multiplicam: elas também se especializam. Surgem diferentes tipos celulares, que participam da formação de tecidos, órgãos e sistemas. Células nervosas, musculares e tantas outras desempenham funções distintas, contribuindo para o funcionamento integrado do organismo.
A Biologia investiga os mecanismos envolvidos nesses processos, como a regulação da expressão dos genes e a comunicação entre as células. Para mim, conhecer essas explicações não diminuiu o encanto pela vida. Pelo contrário: aprofundou minha admiração pela criação de Deus.
Mais tarde, conheci a proposta do Design Inteligente, cujos defensores argumentam que determinadas características da natureza apontam para uma causa inteligente. Esse contato estimulou minhas reflexões sobre a ordem e a complexidade da vida. É necessário, porém, distinguir essa proposta, que não é reconhecida como teoria científica pela comunidade científica predominante, da confissão cristã de que Deus é o Criador de todas as coisas.
Minha fé no Criador não depende de uma teoria específica nem das perguntas que a ciência ainda não conseguiu responder. Ela se fundamenta na revelação de Deus nas Escrituras e em Jesus Cristo. Não precisamos esperar que falte uma explicação científica para reconhecer a grandeza do Senhor.
O salmista declara:
“Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.” (Salmo 19.1, ARA)
À luz da fé cristã, a natureza testemunha a glória de seu Autor. Ao observarmos a vida, somos convidados a reconhecer nossa condição de criaturas e a responder com humildade, gratidão e responsabilidade.
Isso não significa que o conhecimento científico conduza automaticamente todas as pessoas à fé. Pessoas podem estudar os mesmos fenômenos e chegar a interpretações filosóficas e religiosas diferentes. Em minha caminhada, entretanto, o estudo da Biologia tornou-se uma oportunidade de contemplar com maior atenção aquilo que creio ser obra de Deus.
Também precisamos reconhecer os limites dessa contemplação: admirar a natureza não substitui conhecer o evangelho. A criação revela a grandeza de Deus; nas Escrituras, conhecemos sua mensagem de salvação, que encontra seu centro em Jesus Cristo.
Por isso, estudar pode ser uma expressão de nossa responsabilidade diante do Criador. A fé cristã nos chama à honestidade intelectual, ao exame cuidadoso das evidências e à humildade para reconhecer os limites do nosso conhecimento.
Quando estudo a vida, encontro motivos para aprender e também para adorar. Cada descoberta pode renovar meu senso de responsabilidade pelo mundo criado e minha gratidão àquele que me concedeu a própria vida.
Conhecer melhor a criação pode aprofundar nossa admiração; conhecer o Criador em Cristo transforma nossa vida.
Prof. Celso Lopes
@profcelsolopes
