Segundo a Bíblia, Deus é espírito (João 4.24). Sua natureza divina não está limitada a um corpo físico, e sua grandeza não pode ser medida pelas dimensões que usamos para descrever as coisas criadas. Deus não está sujeito às limitações de espaço, tempo e poder próprias de suas criaturas.
Isso não significa, porém, que ele seja distante ou impossível de conhecer. Deus se revelou por suas obras, por sua Palavra e, de maneira suprema, em Jesus Cristo. Na encarnação, o Filho eterno assumiu a natureza humana sem deixar de ser Deus. Ele é o Emanuel, “Deus conosco” (Mateus 1.23; João 1.1,14).
Em Cristo, conhecemos aquele que revela o Pai. A grandeza divina não se manifesta apenas no poder de criar e sustentar o Universo, mas também na graça de se aproximar de nós para nos salvar.
As Escrituras apresentam Deus como onipotente, onisciente e onipresente: ele possui todo o poder, conhece todas as coisas e está presente em toda parte. Nada escapa ao seu conhecimento, e nenhuma circunstância está fora do alcance de sua autoridade. Seu poder está sempre em perfeita harmonia com sua santidade, sabedoria e bondade.
Foi pela palavra de Deus que o Universo veio a existir. Hebreus declara:
“Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.” (Hebreus 11.3, ARA)
A criação depende do Criador. A imensidão dos céus, a diversidade da vida e a ordem do mundo nos convidam à admiração e à humildade: somos criaturas diante daquele que dá existência e sustento a todas as coisas.
No livro de Jó, essa verdade ganha uma expressão marcante. Em meio ao sofrimento e às perguntas de Jó, o Senhor lhe apresenta a grandeza e a complexidade de suas obras:
“Ou poderás tu atar as cadeias do Sete-estrelo ou soltar os laços do Órion? Ou fazer aparecer os signos do Zodíaco ou guiar a Ursa com seus filhos? Sabes tu as ordenanças dos céus, podes estabelecer a sua influência sobre a terra?” (Jó 38.31-33, ARA)
Nesse contexto, as referências aos agrupamentos de estrelas destacam o governo de Deus sobre os céus, sem recomendar práticas astrológicas.
As perguntas do Senhor mostram a Jó os limites do conhecimento e do poder humanos. Jó não recebe uma explicação detalhada para todas as suas dores, mas é confrontado com a sabedoria daquele que governa a criação. Por fim, reconhece:
“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” (Jó 42.2, ARA)
Essa confissão também nos ensina a confiar. Nem sempre compreenderemos o que Deus permite, e nem sempre suas respostas corresponderão às nossas expectativas. Entretanto, podemos apresentar nossas necessidades ao Senhor, certos de que ele nos ouve e cuida de nós.
Por isso, a Bíblia nos convida a lançar sobre ele toda a nossa ansiedade (1 Pedro 5.7). Confiar não significa negar os problemas, abandonar nossas responsabilidades ou esconder nossas lágrimas. Significa buscar a Deus em oração e depender de sua graça enquanto enfrentamos a realidade.
O Criador conhece nossas necessidades. Ele pode transformar circunstâncias e também nos sustentar quando elas permanecem difíceis. Seu cuidado se manifesta no suprimento, na direção, na consolação e na força para perseverar.
A grandeza de Deus nos ensina a adorá-lo; seu cuidado nos encoraja a descansar nele.
Prof. Celso Lopes
@profcelsolopes
