A segunda vinda de Jesus é uma das verdades centrais da fé cristã. Anunciada pelo próprio Senhor e reafirmada pelos apóstolos, essa promessa sustenta a esperança da Igreja e orienta sua maneira de viver.
Jesus não deixou seus discípulos sem esperança. Antes de sua morte, prometeu que voltaria para recebê-los junto de si (João 14.1-3). Depois de sua ascensão, os anjos confirmaram que aquele mesmo Jesus retornaria (Atos 1.9-11).
Por isso, a Igreja aguarda uma pessoa: o Salvador que morreu por nossos pecados, ressuscitou e reina à direita do Pai. Nossa esperança está fundamentada em sua fidelidade.
1. Uma esperança presente desde a Igreja apostólica
Os cristãos do primeiro século foram ensinados a aguardar a volta do Senhor. Essa expectativa fazia parte de sua fé e oferecia consolo em meio às perseguições, às perdas e às dificuldades.
Ao tratar da ressurreição e do encontro dos salvos com Cristo, Paulo se inclui entre os que poderiam estar vivos naquela ocasião: “nós, os vivos, os que ficarmos” (1 Tessalonicenses 4.17, ARA).
Essa linguagem expressa sua identificação com os cristãos que aguardavam o Senhor. Entretanto, não deve ser transformada em uma previsão de que ele certamente presenciaria o retorno de Jesus. Em outros textos, o apóstolo também reconhece a possibilidade de morrer antes desse acontecimento (Filipenses 1.20-24).
A certeza de Paulo estava na vitória de Cristo: os que morreram nele ressuscitarão, e os que estiverem vivos serão reunidos com eles para estar para sempre com o Senhor.
2. “Em breve” exige esperança e humildade
Em Apocalipse, Jesus declara: “Eis que venho sem demora” (Apocalipse 22.7, ARA). Essa promessa chama a Igreja à prontidão e à obediência.
Contudo, anunciar que Jesus voltará em breve não nos autoriza a estabelecer datas ou afirmar que conhecemos quanto tempo falta. O próprio Senhor ensinou que o dia e a hora não foram revelados aos seus discípulos (Mateus 24.36).
Pedro também adverte contra a ideia de que a passagem do tempo representa uma falha na promessa divina. O Senhor é paciente, e sua aparente demora deve ser compreendida à luz de sua misericórdia (2 Pedro 3.8-9).
Assim, aguardamos com confiança e humildade: sabemos que ele voltará, mas não dominamos o calendário de Deus.
3. Vigilância não dispensa discernimento
Esperar a volta de Jesus não significa ignorar os acontecimentos que as Escrituras relacionam ao seu retorno.
Em Mateus 24, Jesus prepara seus discípulos para enfrentar enganos, tribulações e oposição. Paulo também adverte os tessalonicenses contra mensagens alarmistas e menciona acontecimentos que precedem o Dia do Senhor (2 Tessalonicenses 2.1-3).
Portanto, a vigilância cristã precisa estar acompanhada de discernimento bíblico. Não devemos transformar cada notícia em cumprimento profético nem identificar personagens e datas com uma certeza que o texto não oferece.
Nossa responsabilidade é permanecer atentos ao ensino de Cristo, resistir ao engano e perseverar na fé, inclusive em tempos difíceis.
4. A promessa do retorno transforma nossa conduta
A esperança cristã produz efeitos no presente. Quem aguarda Jesus é chamado à santidade, à fidelidade e ao amor.
Não faz sentido desejar sua presença futura e desprezar sua vontade hoje. A expectativa de encontrá-lo nos convida a examinar nossas prioridades, abandonar o pecado e cultivar uma vida de comunhão com Deus.
A graça que nos salva também nos educa a viver de maneira sensata, justa e piedosa enquanto aguardamos a manifestação gloriosa de nosso Salvador (Tito 2.11-13).
Isso alcança a rotina: a maneira como tratamos nossa família, cumprimos nossos compromissos, administramos nossos recursos e servimos às pessoas.
Esperar Jesus é viver de modo coerente com o evangelho que anunciamos.
5. Aguardamos enquanto cumprimos nossa missão
A promessa da volta de Cristo não é um convite à passividade. Enquanto esperamos, anunciamos o evangelho, ensinamos a Palavra, cuidamos de quem sofre e participamos da edificação da Igreja.
Também continuamos trabalhando, planejando e assumindo nossas responsabilidades. A esperança futura dá sentido à fidelidade presente.
O senso de urgência deve nos conduzir ao serviço perseverante. Cada oportunidade de testemunhar de Cristo e demonstrar seu amor merece ser recebida com responsabilidade.
Uma promessa que sustenta a caminhada
Jesus voltará. As aflições presentes não terão a palavra final, e a morte não poderá separar definitivamente os salvos de seu Senhor.
Até aquele dia, seguimos com fé, esperança e vigilância. Nossa confiança permanece naquele que cumpriu sua obra de redenção e cumprirá também a promessa de seu retorno.
A certeza de que Jesus voltará deve transformar a maneira como vivemos hoje.
Prof. Celso Lopes
@profcelsolopes
