Você já percebeu que algumas promessas bíblicas começaram a se cumprir, mas ainda aguardam sua realização plena?
Já fomos salvos pela graça, mas esperamos a glorificação. Já recebemos uma nova vida em Cristo, mas ainda enfrentamos a luta contra o pecado. O reino de Deus já foi inaugurado, mas sua manifestação futura ainda é objeto de nossa esperança.
Essa relação entre o cumprimento presente e a plenitude futura costuma ser descrita pela expressão “já, mas ainda não”.
Não se trata de uma contradição. Trata-se do desenvolvimento do propósito de Deus na história: aquilo que Cristo inaugurou em sua primeira vinda alcançará sua plena realização no cumprimento de suas promessas futuras.
1. O reino de Deus já foi inaugurado
Jesus iniciou seu ministério anunciando a chegada do reino de Deus e chamando as pessoas ao arrependimento e à fé (Marcos 1.14-15).
Por meio de seus ensinos, curas e libertações, demonstrou a presença e a autoridade desse reino. Sua morte e ressurreição estabeleceram a vitória decisiva sobre o pecado e a morte.
Isso significa que o reino não é apenas uma realidade distante. Já pertencemos a Cristo e somos chamados a viver debaixo de seu governo. Paulo afirma que Deus nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino de seu Filho amado (Colossenses 1.13).
Entretanto, o mundo ainda experimenta injustiça, sofrimento e morte. A presença atual do reino não significa que todos os efeitos da queda já tenham sido removidos.
A vitória de Cristo é certa; a manifestação plena de seus resultados ainda está adiante.
2. Já fomos salvos, mas aguardamos a glorificação
A Bíblia apresenta a salvação com dimensões passadas, presentes e futuras.
Já fomos justificados pela fé e reconciliados com Deus por meio de Jesus Cristo (Romanos 5.1). Nossa aceitação diante do Pai está fundamentada na obra do Salvador.
Ao mesmo tempo, estamos sendo santificados. Pelo Espírito, aprendemos a abandonar o pecado e a viver em obediência, crescendo na semelhança de Cristo.
Ainda aguardamos, porém, a glorificação. Nosso corpo continua sujeito à fraqueza, à enfermidade e à morte. Na volta do Senhor, os mortos em Cristo ressuscitarão, e os crentes que estiverem vivos serão transformados (1 Coríntios 15.51-53; 1 Tessalonicenses 4.16-17).
A dimensão futura da salvação não indica insuficiência no sacrifício de Jesus. Sua obra é perfeita e suficiente; aguardamos a aplicação plena de seus benefícios, incluindo a redenção de nosso corpo.
3. Já somos novas criaturas, mas esperamos a nova criação
Quem está em Cristo é nova criatura (2 Coríntios 5.17). Essa nova vida envolve uma mudança real de condição diante de Deus e o início de uma transformação que alcança nossos desejos, valores e atitudes.
Contudo, ainda não atingimos a perfeição. Continuamos precisando de arrependimento, crescimento e dependência da graça.
Também vivemos em uma criação que sofre os efeitos da queda. Romanos 8.19-23 relaciona a esperança dos filhos de Deus à libertação futura da criação.
A esperança cristã, portanto, inclui a ressurreição do corpo e os novos céus e a nova terra, onde habita a justiça (2 Pedro 3.13). Não esperamos apenas uma melhora nas condições atuais, mas o cumprimento do propósito restaurador de Deus.
4. A volta de Cristo é central para nossa esperança
Vivemos entre a primeira e a segunda vinda de Jesus. Olhamos para trás e reconhecemos o que ele realizou; olhamos para o futuro e aguardamos seu retorno.
Na perspectiva pré-milenista histórica, a volta de Cristo antecede o reino milenar descrito em Apocalipse 20. A consumação final inclui o juízo e os novos céus e a nova terra apresentados em Apocalipse 20–22.
Assim, o “já, mas ainda não” não pretende resumir todos os acontecimentos futuros a um único instante. Ele ajuda a compreender a relação entre a obra inaugurada por Cristo e a plenitude que Deus ainda manifestará.
Nosso futuro está fundamentado na fidelidade daquele que morreu, ressuscitou e prometeu voltar.
5. Como viver entre o cumprimento e a plenitude?
Essa compreensão nos ajuda a evitar dois erros.
O primeiro é esperar que todas as bênçãos futuras sejam experimentadas integralmente agora, como se a fé garantisse uma vida sem enfermidades, perdas ou sofrimento.
O segundo é viver como se a obra de Cristo ainda não tivesse produzido efeitos reais. Já temos perdão, acesso ao Pai, a presença do Espírito e recursos da graça para perseverar.
Por isso, vivemos com gratidão pelo que recebemos, fidelidade nas responsabilidades presentes e esperança no que Deus prometeu.
Aguardamos o Senhor enquanto anunciamos o evangelho, servimos ao próximo, buscamos a santidade e participamos da vida da Igreja. A esperança futura fortalece nossa obediência hoje.
Uma certeza que sustenta a espera
O “já” nos lembra que Deus agiu decisivamente em Jesus Cristo. O “ainda não” nos ensina a perseverar enquanto aguardamos a plenitude de suas promessas.
O sofrimento presente não anula a vitória de Cristo, e as bênçãos que já recebemos não esgotam aquilo que ele preparou para seu povo.
O “já” fortalece nossa certeza; o “ainda não” alimenta nossa esperança. Entre ambos, seguimos confiando naquele que prometeu voltar.
Prof. Celso Lopes
@profcelsolopes
